domingo, 17 de setembro de 2017

* Brincar não tem género.


Eu brinquei muito em criança. Sozinha, com amigos, com primos. Brincava com as mais variadas coisas: desde nenucos até carrinhos. Os meus pais nunca me negaram um brinquedo mesmo que fosse de menino. Sempre tendi para brincadeiras tipicamente categorizadas como de meninas mas também jogava à bola com os rapazes e eles nem se importavam. Nunca me senti pressionada pelos meus pais para escolher um caminho. Fui livre de crescer com diversos gostos, fossem eles quais fossem.

Como Educadora sinto-me na obrigação de ter a mesma atitude perante as crianças: a da liberdade para a escolha. Tenho meninas que preferem brincar na garagem. Como também tenho meninos que gostam de brincar na cozinha. Numa época em que tanto se fala de igualdade de género são estas pequenas atitudes que demonstram que as crianças não nascem formatadas. Não nascem com preconceitos e ideias pré-feitas. E somos nós - adultos em geral - que devemos ter o cuidado de as deixar construir o seu caminho. Elas irão ter as suas preferências e, espantem-se, talvez gostem de coisas que a antiga sociedade diria que não é para o seu género. O que realmente importa isso? Que importa se uma menina gosta de vestir roupa de menino e brincar com carros? O que importa se um menino gosta de fios, coroas e adora tomar conta de bebés? 

Nunca irei dizer a nenhuma criança para escolher outra brincadeira. Não as irei condicionar. Porque a verdade é que o meu papel é mostrar-lhes como seguir o seu caminho da melhor forma. O meu papel é orientá-los - o melhor que sei - para viverem com os seus pares. O meu papel é mostrar-lhes que somos livres. Que podemos fazer as nossas escolhas. Nem que seja numa mera brincadeira. Que brinquem, sem pensar em mais nada. E brincar faz tão bem!!